15 de maio, 2012 - Belém

Janela comprada pode se abrir para o Leão na Série D



Janela comprada pode se abrir para o Leão


O presidente do Remo, Sérgio Cabeça, disse ontem no final da manhã que havia fechado acordo com o presidente do Cametá, Orlando Peixoto, pelo qual o clube do interior desistiria da Série D se conquistasse a vaga. Em contrapartida, rendas divididas (50% para cada clube) nos dois jogos em Belém. Como o Cametá havia desistido de desistir, tão logo a CBF anunciou que bancaria os custos do campeonato, Cabeça disse que o acordo estaria desfeito e que, em vez de repassar metade da renda de domingo (R$ 159 mil), devolveria a metade da renda do primeiro jogo (R$ 46 mil). Peixoto ameaçou levar a questão à Justiça e garantiu que o Cametá não prometeu desistir da Série D. Negociou apenas a transferência do primeiro jogo para Belém, fato que antes negava. Atribuía a mudança de local ao veto da Polícia Militar ao Parque do Bacurau.


Qual a razão do acordo, na época, quando os clubes eram responsáveis por todos os seus custos? Àquela altura, a desistência de Roraima era certa. O Remo estaria na Série D mesmo como vice estadual? A transferência do jogo, do Parque do Bacurau para o Mangueirão, era uma exigência da PM e do Ministério Público. Então, por que o acordo? Cabem esses e muitos outros questionamentos, inclusive do aspecto moral do acordo. Mas pelos sinais dados pelo Cametá por volta das 10 da noite, a desistência passou a ser uma probabilidade. O Cametá faturou R$ 206 mil na decisão do Parazão e o Remo pode estar faturando a vaga na Série D.


Leão: majestade restrita à torcida


Em 12 mandos de jogos no Parazão e na Copa do Brasil, estupendas médias de 15.832 pagantes e lucro de R$ 130 mil por jogo. Mais uma vez, a torcida foi a única expressão de majestade no Remo. A torcida, único fator de encantamento no clube, paga as contas dos fracassos com sofrimento e dinheiro. Deu lucro de R$ 1,6 milhão (renda líquida!) em cinco meses, além de ser o motivo do faturamento de mais R$ 1,4 milhão em patrocínios. A esses valores somam-se R$ 240 mil em cotas de participação na Copa do Brasil. Total: R$ 3,2 milhões em cinco meses. Faturamento líquido de R$ 640 mil mensais.


E em junho vão entrar mais R$ 345 mil da Funtelpa. Com esses números, o Remo prova que o problema não é falta de dinheiro, mas o mau uso do que o clube arrecada. A cartolagem remista rasgou dinheiro em lambanças nas contratações. Franklin, Edu Chiquita, Dida e Jean nem chegaram a jogar. Deivisson jogou apenas 30 minutos em Roraima, na Copa do Brasil. Bruno Oliveira e Christian Fernandes só atuaram nos amistosos do ano passado. Juliano, Felipe Baiano e Bruno Ayres foram dispensados no meio do campeonato. Balu saiu contratado pelo São Caetano/SP. Henrique passou apenas algumas horas no clube. Foi imediatamente dispensado por ter chegado de São Paulo com sete quilos acima do peso ideal. Um 'turista'!


Jean, o caso mais emblemático


Sabia que o Remo tem um volante chamado Jean? É o caso mais emblemático das lambanças do Remo. O atleta havia sido reprovado nos exames médicos no Rio Claro/SP. Veio contundido e assim mesmo o Remo o contratou. Treinou, acusou a contusão e já passou até por cirurgia. O Remo está pagando para recuperá-lo. É um caso tão absurdo quanto foi o de Finazzi, contratado ano passado com uma fissura na costela (o clube sabia), para ser um fracasso em campo e ainda ganhar mais de R$ 100 mil na Justiça, além dos R$ 50 mil que já havia recebido. Esses e outros fatos, como o ambiente sempre tenso no Baenão, por fofocas e encrencas, justificam a continuidade do castigo. Afinal, o Remo conseguiu repetir em 2012 os erros que o afundaram nas últimas temporadas. A torcida merecia ser campeã. Sem dúvida! E o clube, fez por merecer?


Papão lucrando R$ 500 mil por mês


De janeiro a maio, faturamento líquido de R$ 2,5 milhões, entre bilheteria, patrocínios e cotas de participação na Copa do Brasil. A torcida bicolor só teve sua real expressão no estádio contra o Coritiba, atraída por provocações. Fechou a etapa Parazão/Copa do Brasil com 9.660 pagantes por jogo. Não deixou de ser uma boa média. Tanto que na soma de todas as receitas o clube teve um lucro de R$ 500 mil por mês, até agora. A folha salarial está crescendo para a Série C, enquanto a Justiça aperta o clube bicolor pelos débitos de mais de R$ 5 milhões com Arinelson e Jóbson. O Papão vai tocar o projeto da Série C ignorando ou considerando esse aperto? Vai correr o risco de perder a sede em leilão ou tem uma solução mágica engatilhada? Ninguém no clube está se pronunciando sobre isso.

 

 

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