09 de maio, 2012 - Belém

Davino vai cercar-se de paraenses na Curuzu


 

Davino vai cercar-se de paraenses na Curuzu


Bom sinal. Roberval Davino monta sua comissão técnica prestigiando profissionais locais, como fez no Remo em 2005. Mais uma vez, faz questão de trabalhar com Ricardo Monteiro na preparação física e já admitiu Ronaldo como preparador de goleiros. Só deve trazer um auxiliar-técnico, embora tenha Lecheva como opção. Ronaldo é a surpresa, num encerramento de carreira que não foi anunciado. Tem todas as condições de dar certo na nova função. Roberval Davino é aceito por unanimidade.


Chegará amanhã com aprovação plena da torcida e da imprensa para a missão de elevar o Papão à Série B. É um técnico exigente. Antes de ser cobrado, vai cobrar condições de trabalho para ele e para o elenco. Viu o time nos dois jogos contra o Coritiba, pelo Sportv, e vai aprofundar a avaliação no amistoso do próximo sábado, em Paragominas, contra o Nacional de Manaus. Terá apenas 18 dias para avaliar, receber os reforços e reformar o time para a estreia na Série C, dia 27, contra o Luverdense, na Curuzu.


Desprezo à psicologia


Na sua forma simplista de ver futebol, Givanildo Oliveira costuma dizer que 'psicólogo de jogador é salário em dia'. E muitos o seguem, desprezando a importância da psicologia para os atletas de alto rendimento, especialmente num esporte coletivo e de tanto envolvimento emocional, como é o futebol. Nos grandes clubes, psicólogos traçam o perfil de cada atleta e avaliam comportamentos às vésperas dos jogos mais decisivos. Com essa orientação, Flávio Lopes jamais teria escalado Thiago Cametá e Allan Peterson, que se deixaram dominar pelo nervosismo e comprometeram o time inteiro diante do Cametá.


Reis e Juan Sosa deram sinais semelhantes. Betinho já havia mostrado sua fragilidade emocional ao 'desabar' depois de ser vaiado no jogo contra a Tuna, a ponto de pedir para sair do time. A psicologia não apenas diagnostica e trata os desequilíbrios emocionais como previne. A prevenção é a principal função. Se os cartolas soubessem disso, não abririam mão desse acompanhamento para os atletas logo nas categorias de base. Isso é possível a custo zero, em convênios com Faculdades.


Um erro não conserta o outro


Argumentos do torcedor Luiz Leite numa crítica que merece reflexão: 'O Cametá jogou todo o campeonato em seu estádio e só agora é que foram descobrir que lá não tem condições de jogo, justamente num jogo decisivo. A desculpa de que o jogo teria um grande apelo de público não se justifica, pois os ingressos seriam limitados e a Polícia Militar teria a obrigação de dar segurança aos torcedores, independente da quantidade do público presente. Já com relação à notícia veiculada em sua coluna desta segunda (7/5), com relação à liberação do Mangueirão para o primeiro jogo da decisão, com o laudo vencido, é mais um absurdo cometido por quem não deveria (Ministério Público). Usou-se dois pesos e duas medidas, pois se em Cametá não se pode jogar num estádio sem condições, como pode o Mangueirão ser liberado para o jogo com o laudo vencido e sem uma nova vistoria?'


A crítica pela liberação do Mangueirão com laudo vencido é pertinente. A alegação de 'dois pesos e duas medidas' faz sentido. Mas parto do princípio de que um erro não conserta o outro. Ou seja, não reprovo o acerto por causa de um erro. Na realidade, Polícia Militar e Ministério Público deram ao Parque do Bacurau o tratamento dado ao Baenão, reprovado para a decisão do turno. Essas foram decisões técnicas. No caso do Mangueirão, se a decisão seguisse os mesmos critérios o estádio não teria sido liberado.


O fato é que o nosso futebol sofre transtornos por falta de infraestrutura adequada, no interior e também na capital. Nossos estádios e a mentalidade dos dirigentes estão na contra-mão do Estatuto do Torcedor, uma lei que quase todos insistem em ignorar. Por isso, quem a defende ou tem a obrigação de aplicá-la (sem jeitinhos!) sofre condenações.   


Emoção, o primeiro estágio


Três recordes de público na Copa do Brasil e a quarta maior média de público dos campeonatos estaduais. O futebol do Pará reafirma ao país que é muito maior nas arquibancadas do que no gramado. Esse cenário me faz lembrar da palestra do professor português Gustavo Pires (Universidade de Lisboa), no Troféu Romulo Maiorana, quando mostrou os estágios de evolução da gestão esportiva.


O futebol paraense ainda é emoção pela emoção. Ainda não abraçou o desafio de capitalizar essa força, o que só seria possível com gestão profissional. Por isso, as torcidas de Remo e Paysandu vão continuar festejando suas próprias proezas como compensação para os fracassos dos seus times. Vai ser assim até que os clubes ganhem luz na esfera administrativa.

 

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