30 de agosto, 2011 - Belém

Veio a vitória, mas e o preparo físico? Desgaste bicolor foi acima do normal


 

Desgaste dos bicolores foi acima do normal       


A alta temperatura ambiente e a correria intensa do jogo contra o Luverdense funcionaram como 'tortura' física para os atletas do Papão. Rodrigo Pontes perdeu 3,6 quilos, correspondentes a 4% do seu peso normal. Mas o maior desgaste foi de Thiago Potiguar, Rafael Oliveira e Sidny, que inclusive tiveram cãimbras (contrações involuntárias e dolorosas da musculatura) depois dos 30 minutos do segundo tempo. Esses jogadores estão sob cuidados especiais para a recuperação metabólica. Eles e outros que jogaram os 90 minutos só voltam a trabalhar amanhã pela manhã.        


Fora da próxima rodada, o Paysandu ganhou tempo para um repouso providencial. Caso contrário, haveria grande risco de lesões. O repouso será fundamental também pelo fato de o próximo jogo reservar uma fadiga ainda maior. Será em Rio Branco , no próximo dia 11, no calor infernal da tarde acreana. Um agravante para as condições climáticas é a forma como o Papão está jogando, sempre na superação, com os atletas se doando fisicamente em bravura acima do normal, para compensar a falta de padrão de jogo. Como qualquer time desarrumado, o time bicolor está suando além da cota para ser competitivo.                          

 

 

Vitória também ajuda no repouso       


Na visão de quem não tem noção dos aspectos fisiológicos do futebol, o tão necessário repouso dos bicolores (48 horas para uns e 66 horas para outros) pareceria inconcebível se o Papão não tivesse vencido o Luverdense. Com a vitória, o repouso torna-se inquestionável. Mas é importante compreender que descanso na medida certa não é prêmio nas vitórias, assim como a volta precipitada ao trabalho não poderia ser encarada como castigo.        


Se tivesse que jogar no próximo fim de semana, o Papão não daria a folga que está dando. Teria que haver sacrifício! Mas como a tabela permite, a comissão técnica faz o que a ciência recomenda para evitar lesões e queda de rendimento lá na frente, até porque o time deve continuar correndo mais que a bola pelos seus objetivos.                       

 


Ambulância, questão de vida ou morte        


O socorro médico imediato ao técnico do Vasco, Ricardo Gomes, foi mais uma confirmação da importância da ambulância e seus equipamentos à beira do campo de futebol. Pode determinar a diferença entre a vida e a morte. Há um mês e meio, o peladeiro Ruben Franco de Almeida, o 'Choba', 52 anos, jogava seu futebol matinal num dos campos em torno do Mangueirão e teve uma crise cardíaca que o levou à morte pela falta do atendimento imediato. Nesse caso, a demora da chegada de uma ambulância foi fatal.        


Vale a pena refletir sobre os casos de Ricardo Gomes (AVC) e 'Choba', como também sobre o elevado desgaste físico dos atletas no jogo Paysandu x Luverdense, para observar como está sendo disputada a 2ª divisão do Campeonato Paraense. São jogos às 15h30, sob temperaturas absurdas, nem todos com presença de ambulância e médicos. Federação e clubes precisam ter consciência do risco que estão causando aos atletas, que jogam sem passar pelos exames cardíacos. Quem faz campeonato nessas condições tem que saber do perigo de ocorrência fatal e das conseqüências legais que isso teria. Estamos falando de falta de prevenção ao risco de morte por crise cardíaca, que tanto envolve jogadores como treinadores, torcedores e qualquer pessoa no estádio de futebol.                     

 

 

Atacantes são revelações da 'segundinha'             


Emerson Gaúcho (Vila Rica) 18 anos, Fernando Caranga (Bragantino) 19 anos, Ronaldo (Tiradentes) 17 anos. Três atacantes, três revelações das primeiras rodadas da 2ª divisão paraense. Mostraram potencial muito promissor, não só pelos gols, mas por todos os recursos em campo.         


Do trio, Emerson Gaúcho tem a melhor história. Natural de Bento Gonçalves/RS, saiu de sua terra com o amigo Douglas, lateral direito, 19 anos, natural de Três Passos/RS, para testes num clube de São Paulo. O teste não aconteceu e eles foram encaminhados ao técnico Luis Oliveira, do Vila Rica. Estão em Belém como aventureiros. Emerson já ganhou a atenção do técnico do Remo, Sinomar Naves, que viu o jogo Pedreira x Vila Rica, domingo, no Mosqueiro.


Fernando Caranga é pernambucano. Trabalhado nas categorias de base do Náutico e do Santa Cruz, estava disponível em Recife e veio para o Bragantino, que tem outras revelações pernambucanas trazidas pelo empresário Emerson Dias. Com 1,90m., forte, rompedor, Fernando Caranga está empolgando quem viu o Tubarão do Caeté nas vitórias sobre Santa Rosa e Izabelense, com três gols dele.


Ronaldo é da terrinha. Primeiro fruto da indústria de futebol Desportiva Paraense, em Marituba. Ágil e habilidoso, o menino está dando sinais de que pode fazer boa carreira no futebol.  

 

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