29 de agosto, 2011 - Belém

Paysandu venceu seu maior adversário. Ele mesmo!


 

Papão venceu a si próprio no drama de ontem      


É inegável que o Luverdense foi um adversário competente naquilo que se propôs. Mas para conquistar três pontos, ontem, o Paysandu precisou vencer primeiro si próprio, para ter condições de fazer 1 x 0 no time matogrossense e recuperar a liderança do grupo. Nos primeiros 20 minutos, o Papão abusava dos passes longos e improdutivos. Foi quando Sandro entrou (saindo Jean e passando Charles Vanger para a lateral esquerda) e botou a bola no chão, pensou pelo time, criou alternativas. A entrada de Robinho no lugar de Luciano Henrique aumentou a dinâmica. Mas foi a valentia de todos, com superação plena, o fator determinante para a vitória que colocou o Papão em condições privilegiadas para a classificação à segunda fase.       


O técnico Roberto Fernandes tem razão quando diz que Série C é para os mais valentes e que ninguém espere futebol envolvente do Papão ou de qualquer outro time desse campeonato. Mas isso não justifica o futebol tão confuso do time bicolor, que Roberto Fernandes prometeu ser em nível de Série B. Por enquanto, só a folha salarial (cerca de R$ 600 mil mensais) corresponde à promessa do treinador.                            

 


Quatro candidatos vivos       


Com sete pontos, o Luverdense é quarto colocado, a quatro pontos do líder Paysandu, mas tendo um jogo a mais para cumprir. A vitória do Rio Branco sobre o Águia (2 x 1) embolou a disputa. Os dois se igualaram com 10 pontos. Os quatro candidatos estão vivos. Vai sobrar emoção nas últimas rodadas e o eliminado Araguaína poderá ser o fiel da balança, se for capaz de atrapalhar Luverdense, Águia ou Paysandu.        


A derrota do Águia para o Rio Branco, com gol de pênalti no finalzinho, foi traumática para os marabaenses pelo ponto precioso que escapou e pela exceção em que o Águia se transformou, já que os outros três clubes paraenses (Paysandu, Independente e São Raimundo) foram vitoriosos no fim de semana. Agora, mesmo ganhando do Araguaina no próximo sábado em Marabá, o Águia terá que pontuar em Lucas do Rio Verde para seguir no campeonato.                                               

 


Quem é o herói dos bicolores?      


Autor do gol da vitória sobre o Luverdense, Vagner curte as honras de heroi da torcida bicolor. Mas, quem é Vagner? Mineiro de Betim, 28 anos, 1,82m., ele é o capitão do time, homem de confiança do técnico Roberto Fernandes.      

 

Revelado na base do Atlético Mineiro, com nove anos de carreira, tem no currículo o Coritiba (bicampeão paranaense), Botafogo/RJ, Náutico, Bahia (acesso à Série A) e Ipatinga. Foi no alvinegro carioca que Vagner viveu seus momentos de maior visibilidade, em 2007, quando fez um gol extremamente polêmico, contra o Figueirense, na Copa do Brasil. Gol de cabeça, como de ontem, anulado pela bandeirinha Ana Paula Oliveira, apesar de legítimo. O Botafogo foi eliminado da Copa do Brasil e o gol de Vagner ficou para a história.       


Em Belém, a ambição do mineiro Rafael Vagner Dias Silva é fazer história no Paysandu com o tão esperado acesso à Série B e com o título da Série C.          
     


Contrato de Sinomar tem cláusula inédita      


Sinomar Naves tem no Remo o poder que nenhum treinador regional jamais teve nos principais clubes do Pará. O contrato, com duração de um ano, contém cláusula inédita no futebol paraense, que garante ao técnico azulino a última palavra ('sim' ou 'não') em qualquer contratação para o futebol. É uma forma de assegurar que o projeto de Sinomar será cumprido, para resultar num time competitivo, dentro da capacidade orçamentária do clube, base para uma continuidade que leve o Leão Azul aos seus objetivos de reabilitação técnica, moral e econômico-financeira nas próximas temporadas.       


Em conversa com o colunista sobre o contrato inédito, Sinomar fez questão de dizer que não vai agir como ditador. 'A decisão final sempre será minha, mas sempre estarei aberto às opiniões dos dirigentes e de todos os que trabalham comigo. Estamos trabalhando em conjunto'. O contrato dá a Sinomar a força que treinadores como Givanildo Oliveira, Waldemar Carabina, Paulinho de Almeida e outros vitoriosos tiveram para conduzir o futebol profissionalmente no Baenão e na Curuzu. Cabe a Sinomar ter habilidade para agir como um líder, aglutinando e convergindo todos para o rumo traçado no seu projeto, que é o único caminho viável para a reconstrução do futebol remista. Pelo projeto, em vez de altas despesas com jogadores empurrados por empresários, o clube deverá fazer investimento em jogadores previamente avaliados por Sinomar, que façam do Leão Azul a oportunidade de projeção profissional. É a aposta no trabalho, dentro da filosofia pela qual Sinomar conduziu o Independente de Tucuruí ao título estadual deste ano.

 

 

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