15 de agosto, 2011 - Belém

Há 100 anos, o Remo viva o fantasma da falência


 

Apesar da liderança, Papão em turbulência        


De 12 pontos disputados, 8 conquistados. Aproveitamento de 66,6%. O Papão é líder do seu grupo na Série C. Com mais 6 dos 12 que ainda vai disputar estará classificado. Apesar desses números, o Papão entrou em turbulência depois que o presidente Luis Omar Pinheiro “chutou o balde” no vestiário em Lucas do Rio Verde, minutos depois do empate (1 x 1) com o Luverdense, no momento em que os atletas se juntavam para a oração. Com todo o seu passionalismo, LOP atacou o time com expressões contundentes, como “medíocre”, por exemplo. E disse que não seria mais segunda-feira (hoje) o pagamento salarial programado. Enfim, criou um ambiente pesadíssimo, que resultou no pedido de demissão`(ainda pendente) de  Roberto Fernandes, anunciado ontem mesmo como novo técnico da Americana/SP na Série B do Brasileiro.           


Do seu jeito explosivo, pela sua visão simplista de futebol, Luis Omar cobrou aquilo que Roberto Fernandes e jogadores lhe fizeram acreditar. Que o Papão atropelaria na Série C! Reconheçamos, mesmo com um futebol inconfiável, o novo Papão vai bem na pontuação. É o líder com dois terços dos pontos que disputou. O presidente se encarrega de manter o clube estressado, em perigosa turbulência. O futuro do Papão depende de como os profissionais vão reagir a tamanha tensão.                                      

 


A folha por trás da intolerância        


No meio da semana, Luis Omar Pinheiro já havia demitido quatro funcionários do futebol e prometido outras demissões. Não deveria estar contando que Roberto Fernandes e companhia estariam no pacote.  E quando “soltou os cachorros” pra cima de jogadores e comissão técnica no Mato Grosso, argumentou o alto custo: R$ 600 mil mensais, uma folha que corresponde à soma das folhas dos quatro adversários (Águia, Luverdense, Rio Branco e Araguaina).          


O que vai acontecer nos próximos dias? No Papão de Luis Omar, tudo é possível. Até essa loucura acabar em festa.                             

 


Remo, 100 anos do fantasma da falência         


Sim! O Remo já viu de perto o fantasma da falência. Fundado em 5 de fevereiro de 1905, como Grupo do Remo (agremiação de regatas), seis anos depois já estava praticamente falido. Só sobreviveu, transformado em Clube do Remo, com a inclusão de outros esportes, graças à ação heróica de 15 remistas, no dia 15 de agosto de 1911, data do aniversário da ressurreição. Exatamente um século depois, em crise profunda por sucessivas ações destrutivas de diversos grupos incompetentes (ou irresponsáveis, mesmo!), o Remo precisa de nova ação heróica, de um novo 15 de agosto, de uma nova ressurreição.         


Há 16 anos, quando exercia a presidência do clube interinamente, Aldebaro Klautau promoveu o 1º e único Encontro de Reegenharia do Remo. Palestras e debates em vão. Nada foi levado a sério. Muito menos o alerta de Aldebaro, quando mostrou a necessidade de um novo “15 de agosto de 1911”. E àquela altura a dívida do clube era assustadora com apenas R$ 1,5 milhão. Hoje, só na Justiça do Trabalho a dívida é quatro vezes maior. Mas nas discussões internas essas questões são secundárias. Conselheiros, beneméritos, grandes beneméritos e pitaqueiros ainda priorizam as “picuinhas”. Grupos se digladiam, vaidades e caprichos pessoais se sobrepõem aos interesses do clube, a fofoca fala mais alto que qualquer projeto. Faz muito tempo que o Remo deixou de ser prioridade para esses “remistas”.         


Se o presidente Sérgio Cabeça está mesmo determinado a ressoerguer o clube, como afirma, precisa exercer uma liderança capaz de unir inimigos e de abrir os olhos dos que estão cegos pela guerra sem causa. Mas, em oito meses de mandato, o presidente ainda não mostrou essa capacidade de aglutinação. Nem parece focado nessa missão.                                                

 


Futebol só a partir de 1913        


106 anos da fundação, 100 anos da ressurreição, 98 anos de futebol. O Remo está a 1 ano e 8 meses do centenário nos gramados.O futebol entrou na história do clube no dia 21 de abril de 1913. Bem que esses 20 meses poderiam ser o prazo para a reabilitação moral do Leão Azul, hoje reduzido a amistosos intermunicipais, com as limitações financeiras time pequeno (R$ 98 mil/mês para elenco, comissão técnica e funcionários), enquanto a dívida trabalhista está consumindo R$ 178 mil/mês.         


Apesar do passado tão mais caro que o presente e das humilhações que a torcida está passando, mesmo com o clube no fundo do poço, alguns “pavões” ainda insistem em empinar o nariz, na contra-mão do exemplo daqueles 15 heróis que evitaram a falência há exatos 100 anos. Talvez os “pavões” nem ponham a carapuça, e muito menos reconheçam que estão hoje no papel de “coveiros”. Talvez falte discernimento pra isso.

 

 

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