11 de agosto, 2011 - Belém

O segredo de Robinho do Paysandu para o futebol


 

Robinho, energia que saiu da vaca       


Mesmo sem êxito nas categorias de base do Atlético Mineiro e do Cruzeiro, Robinho jamais desistiu de ser jogador profissional e ajudar a família através do futebol. Conta que viveu a infância e a adolescência trabalhando na roça, em Mirabela, interior de Minas Gerais, acordando muito cedo para tirar leite das vacas. Bebeu muito leite recém saído das tetas e que por isso tem tanta energia associada ao talento e a obstinação por dar certo no futebol. Depois do sucesso feito no Cametá, o Paysandu é sua grande chance de projeção.        


Com 23 anos completados na última terça-feira, Robinho tem um comportamento resultante do conflito entre a timidez e a superação. Com a fala mansa própria dos mineiros, se expressa com a simplicidade de um guerreiro e se comporta com a habilidade de um político. Trata de se dar bem com todos, inclusive com a torcida, suando a camisa e se impondo em campo com personalidade, sem medo de errar, sempre serelepe, acreditando no que é capaz de fazer e focando nos objetivos. Fazendo de tudo para que sua vaca não vá para o brejo. Bom menino!                                  

 


Efeito Lyoto no Papão       


Lyoto Machida recebeu ontem uma camisa do Paysandu autografada por todos os jogadores, gratos pela palestra que receberam no sábado do ex-campeão mundial de MMA. Articulada pelo fisioterapeuta Júnior Furtado, a palestra de Lyoto teve todo um roteiro e efeito surpresa para os atletas.         


Aparentemente, para os atletas, tratava-se apenas de mais uma palestra do técnico Roberto Fernandes, que usou exemplos de superação de Lyoto como lutador. Foi quando Lyoto entrou no salão para espanto geral. E ele próprio passou a falar de suas experiências como atleta, associando-as ao futebol. Meia hora de absoluta atenção dos jogadores bicolores, seguida de muita tietagem ao ídolo. Na mais marcante das mensagens, Lyoto destacou a importância de “manter o foco”, com concentração, confiança e ambição pela vitória até o último momento. E foi assim, inspirado no dragão dos ringues, que o Papão venceu o Águia no Mangueirão.        


O efeito Lyoto continua valendo no time bicolor para o confronto com o Luverdense, sábado. Os atletas estão cobrando uns dos outros a mesma conduta, o mesmo aproveitamento das lições do dragão, do primeiro ao último lance.                      

 


Uma constatação de desvantagem física        


Mesmo ainda na etapa mais leve dos trabalhos físicos, na fase de readaptação ao esforço, garotos da base do Remo estão sofrendo por falta de lastro fisiológico. É que a musculatura nunca foi trabalhada no nível adequado. E nem poderia! O clube nunca ofereceu as condições necessárias. Não há academia de musculação no Baenão nem mesmo para os profissionais. Não poderia haver desenvolvimento físico sem uma rotina de treinos e alimentação orientada por nutricionista. E por essas e outras que definimos como “faz de conta” o funcionamento das categorias de base de todos os clubes do Pará. A Desportiva, em Marituba, está chegando com uma proposta de alto nível. É o que também promete um grupo de  investidores para o Remo, em parceria. Mas o tal grupo ainda é mantido no anonimato.        


O importante da constatação que está ocorrendo no Remo, com a flagrante incapacidade física dos jovens atletas, é a prova de que  os garotos chegam ao elenco profissional em desvantagem física, por incompetência dos clubes, que não oferecem condições de desenvolvimento. O que também pesa decisivamente contra os garotos nos clubes regionais é a falta de intercâmbio. A única chance de contato com os grandes times nacionais se restringe ao campeão paraense sub 17, na Copa São Paulo sub 18.                        

 


No Sampaio, estrutura que falta em Belém        


Se você torce por Remo ou Paysandu e quer sentir inveja de um vizinho, acesse www.sampaiocorreafc.com.br. No site, conheça o Hotel Concentração do clube maranhense. É um Centro de Treinamentos com dois campos oficiais de futebol, um deles com arquibancadas, academia de musculação, departamento médico bem equipado, salão social, restaurante, parque aquático com duas piscinas, quadra poliesportiva e áreas de apoio.        


Quem tanto temia que o futebol paraense descesse ao nível do futebol maranhense, pode comprovar pela Internet que o Sampaio Corrêa já engoliu Remo e Paysandu em matéria de infra-estrutura para treinamentos e concentração. Isso reflete a mentalidade ultrapassada que prevalece tanto no Leão como no Papão, que ainda alugam ônibus (verdadeiros fornos) para treinar em campos emprestados e academias permutadas. E se é assim para os atletas profissionais, tente imaginar como é para os atletas das categorias de base.

 

 

Para ler a coluna completa, assine O Liberal Digital!