09 de agosto, 2011 - Belém

O futebol como alvo de investidores para resultar lucros


 

Papão já tem metade da pontuação necessária      


Na Série C de 2010, com a mesma concorrência (cinco clubes para duas vagas), os quatro classificados na segunda posição fizeram de 11 a 14 pontos. No entanto, o Luverdense foi eliminado com 12 pontos, dois a menos que o vice-líder Macaé. Esse referencial do ano passado, associado às tendências dos números atuais do grupo dos paraenses, indica que a classificação será possível com 12 pontos, provável com 13 e praticamente garantida com 14 pontos.        


Com 7 pontos, o Paysandu já tem metade da pontuação necessária à classificação e cinco jogos pela frente. Ou seja, o Papão está muito bem encaminhado, sobretudo por ser um time em formação, que deverá crescer de rendimento físico e tático na segunda virada do grupo. Sábado o Papão vai defender a liderança no Mato Grosso, diante do vice-líder Luverdense (6 pontos), numa rodada em que tanto pode saltar para o conforto como pode cair até para a terceira posição. O Águia, com 4 pontos, poderá fechar a primeira virada com 7 pontos se vencer o Rio Branco no próximo sábado, em Marabá. Vai ser o que se chama de “jogo de seis pontos”, pelo fato de o time acreano ter a mesma pontuação do time marabaense.         


A segunda fase, que decide o acesso e vinha sendo disputada no sistema de “mata mata”, este ano passa a ser disputada com quadrangular. Os dois classificados do grupo dos paraenses vão se juntar aos classificados do grupo nordestino, que tem América/RN com 9 e CRB/AL com 6 pontos, enquanto Fortaleza, Campinense/PB e Guarani/CE estão empatados com três.                     

 


Entrando na “era” das parcerias     


Dos direitos econômicos de atletas aos investimentos em infra-estrutura, quase tudo no futebol está na “era” das parcerias, como recomenda o mercado de uma forma geral. Nessas negociações, a força da marca dos clubes casa com o dinheiro dos investidores para gerar lucro a ambas as partes.       


Com ou sem know hall, empresas estão entrando cada dia mais na gestão dos clubes, em terceirização de serviço. No Pará, a parceria mais expressiva tem sido de clubes com prefeituras, como foram do Vila Rica com Cametá e Breves, e do Independente com Tucuruí, tendo esta última resultado em absorção. O Paysandu está costurando parceria com a empresa Ingresso Fácil para gestão do programa Sócio Torcedor, que no Leão já é da empresa Nação Azul. O Remo inicia parceria também com uma empresa de marketing para exploração do seu potencial de mercado. Ao mesmo tempo,  surge promissor consórcio para as categorias de base azulinas. Um grupo de investidores está fechando contrato com o Remo para montar infra-estrutura e manter em alto padrão as equipes de sub 13 a sub 20, na perspectiva de um dia dividir expressivos lucros com o clube. Dependendo da conduta de ambas as partes, a sociedade pode valer muito a pena para todos.      
                  


Com investidores, o futebol pelo lucro      


Tão importante quanto o dinheiro, é o know hall a ser investido pela empresa na parceria para que o futebol remista dê o lucro almejado a médio ou longo prazo. Empresários que se prezam não arriscam seu dinheiro em “meia sola”. Por isso, a crença num serviço qualificado de formação de jogadores, como nunca existiu no futebol paraense.      


No sábado conheci o Centro de Treinamentos e tive mais informações do projeto da Desportiva Paraense, em Marituba. É uma indústria de futebol lançada por 30 empresários paraenses, bem estruturada e administrada profissionalmente. Um “oásis” no deserto das categorias de base no Pará. Pois bem! O Remo acena com uma parceria que indica outro “oásis”. Renascem esperanças que um dia tivemos com o Carajás, do empresário Dário Tragni. Mas o projeto do Pica Pau sucumbiu. Hoje está reduzido a indecência do Time Negra como filial do Paysandu.                           

 


Josiel mais útil que Mendes        


Josiel ainda não chega a ser um sucesso no Paysandu, assim como Mendes ainda não está condenado ao fracasso no Águia. Mas, a julgar pelo que ambos fizeram até agora na Série C, principalmente no duelo Paysandu x Águia, o atacante bicolor foi muito mais útil que o aguiano.         


Por que a comparação entre Josiel e Mendes? Resposta simples. O Papão abriu mão de Mendes, autor de 12 gols com a camisa bicolor na temporada, para pagar mais caro por Josiel, que estava à margem do elenco do Atlético Goianiense. Por enquanto, Mendes está justificando no Águia a sua liberação pelo Paysandu. Tem sido no time marabaense a mesma figura improdutiva que foi com a camisa bicolor no segundo turno do Parazão. Josiel, mesmo fora de forma, fez um gol na estreia e deu passe para outro no segundo jogo, além de ter suado a camisa com o esforço que se exige de um guerreiro. Contudo, ainda precisa evoluir muito para justificar, com gols, o arrojado investimento feito pelo Papão na sua contratação.

 

 

Para ler a coluna completa, assine O Liberal Digital!