04 de agosto, 2011 - Belém

Brasil x Argentina servirá para arrumar a 'casa'


 

Um evento para arrumar o Mangueirão        


Do abandono traduzido em lixo por toda parte para obras intensas de recuperação. O Mangueirão sai do desespero para a esperança. Vem aí obras intensas de revitalização por conta da confirmação do jogo Brasil x Argentina, no dia 28 de setembro.  Enfim, voltaremos a ter um estádio limpo, com condições dignas para receber o público.         


O clássico continental vai ser “meia boca”, sem os brasileiros e argentinos que atuam fora dos dois países. Não vai ter Messi, nem Tevez, Mascherano, Maicon, Lúcio, Thiago Silva, Júlio César... Mas terá o paraense Paulo Henrique Ganso, Neimar e companhia. Acima de tudo, terá a rivalidade de Brasil e Argentina, um das mais expressivas do mundo, com sete títulos e três vice-campeonatos mundiais representados. Mesmo sem todas as estrelas, o jogo vai despertar a atenção da mídia mundial. Tem a medida de um prêmio de consolo para a cidade que não foi capaz de emplacar como sede da Copa do Mundo de 2014.        


O jogo vai proporcionar visibilidade para Belém e emoções especiais para os paraenses. Mas isso vai passar rápido. Importante mesmo é o que vai ficar em melhorias no Mangueirão. Teremos em menos de dois meses obras que normalmente esperaríamos mais de dois anos, com a urgência se sobrepondo à burocracia.                                 

 


No futebol, história também dá dinheiro        


Para que servem as glórias de Remo e Paysandu em quase 100 anos de futebol? Somente para alimentar a rivalidade com as provocações entre torcedores? No Barcelona a história é vendida através do Museu e rende R$ 100 mil a cada mês. No Santos, o faturamento mensal passa de R$ 60 mil. Leão e Papão ainda não descobriram essa fonte de renda. E o museu produz muito mais que dinheiro. Serve para agregar pessoas, para concentrar as peças e manter viva a história, para fazer justiça aos ídolos e a todos os heróis, para conquistar novas gerações.         


O Remo está a 21 meses do seu centenário no futebol. Fez o primeiro jogo (amistoso) em 21 de abril de 1913, empatando em 0 x 0 com o Guarani. O Paysandu está a dois anos e meio do centenário. As duas histórias só não estão mais soltas graças a pesquisadores como Carlos Roque e Júlio Linch (falecidos), Orlando Ruffeil e Ferreira da Costa. Faltam os museus dos dois clubes para concentrar as peças históricas: objetos, como troféus e uniformes antigos; reportagens em áudio, vídeo e produção impressa; depoimentos, documentos, etc. Seguramente, o empreendimento mobilizaria torcedores para doação de materiais que estão dispersos em arquivos particulares.         


Os museus de Remo e Paysandu seriam muito importantes para a conquista de novas gerações de torcedores, numa época em que as crianças estão tentadas a torcer por clubes europeus e sem maiores motivos para se apaixonar pelos clubes regionais. Seriam importantes como cartada de marketing e providenciais para o resgate da história. É muito importante pensar nisso, e agir.                  

 


Alavanca para captação de recursos        


Ingressos ao museu do Santos custam 6 reais para visita simples e 10 reais para visita monitorada. Crianças de até 6 anos e idosos com mais de 60 anos não pagam. O Memorial do Peixe expõe, em espaços temáticos, 500 troféus, fotos ampliadas em tamanho natural, documentos, títulos, uniformes, entre outras peças. Equipamentos de vídeo exibem lances históricos, clips especiais e filmes. Que tal algo assim no Remo e no Paysandu, dentro das suas proporções?        


O museu gera não apenas bilheteria como também fluxo no bar, na lanchonete e na loja de produtos do clube. No Leão e no Papão poderia funcionar como alavanca para os programas Sócio Torcedor e “Seu time, sua energia”, da parceria com a Celpa, já que por enquanto os dois clubes estão se limitando à venda de emoção. Os presidente Luis Omar Pinheiro (Paysandu) e Sérgio Cabeça (Remo) que precisam pensar nisso, agir rápido na busca de parceria e se colocar na história com um empreendimento que seria para sempre.                                 

 


Fanfarronice das boas       


João Galvão dizer que tem um “espião” a serviço do Águia, seguindo o Paysandu cheira a balela. É claro! Se houvesse, o técnico do Águia não avisaria. Mas é uma fanfarronice das boas. Serviu para colocar uma pulga atrás da orelha de Roberto Fernandes, que ontem resolveu fazer treino secreto. Serviu para colocar um molho extra no jogo, que já se impunha por valer a liderança do grupo, pela presença de Mendes com a camisa aguiana contra o ex-clube, pela invencibilidade (9 jogos) do Águia, pelo jejum do Papão que há um ano e dois meses não ganha jogo nenhum no Mangueirão, como também não perdeu jogo nenhum de campeonato brasileiro no estádio estadual desde 2008.        


Galvão está puxando o jogo para o fator emocional, que sabe explorar muito bem. E já teve boa resposta com Roberto Fernandes mordendo a isca, caindo na lorota da espionagem.

 

 

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