30 de julho, 2011 - Belém

Carlos Ferreira fala sobre jogos e estrutura emocional dos times paraenses na série C do Brasileirão


 

Águia contra um vizinho na segunda-feira   

 

Para jogar em Araguaina, interior do Tocantins, segunda-feira, o Águia vai fazer viagem interestadual de menos de quatro horas, pela estrada, percorrendo 280 quilômetros. Para o jogo seguinte, em Belém, contra o Paysandu, o Águia terá que percorrer mais que o dobro (684 quilômetros), em quase 9 horas na estrada. Essa é uma curiosidade da geografia regional. Em 2008 o clube marabaense chegou a cogitar a hipótese de programar seus jogos do Campeonato Brasileiro (Série C) para Araguaina quando chegou à fase final e foi impedido de continuar jogando em Marabá, pelas limitações do estádio Zinho Oliveira. Na recente viagem de Belém a Araguaina, os jogadores e comissão técnica do Paysandu foram de avião até Marabá e completaram a viagem pela estrada.

 

Águia e Araguaina vão se enfrentar pela terceira vez. Os dois jogos anteriores foram amistosos, com duas vitórias do time tocantinense: 2 x 0 em Marabá e 3 x 0 em Araguaina, ano passado. Desta vez, porém, o time marabaense vai entrar em campo com melhor cotação para vencer, mesmo como visitante.    
 
                                       
 
Estrutura emocional

 

Na insegurança natural de um time em formação, pressionado  pela torcida por resultados imediatos, o Paysandu vai depender muito da estrutura emocional dos atletas. Essas circunstâncias desafiadoras geram diferentes reações. Há jogadores que se deixam abalar e outros que se agigantam. A personalidade e a rodagem são determinantes, entre outros fatores.

 

Dos titulares bicolores, Fábio Gaúcho demonstrou fragilidade emocional diante da Fiel no jogo contra o Rio Branco. Mesmo aos 29 anos, o atleta está vestindo pela primeira vez a camisa de um clube de massa em sua carreira profissional. Reação oposta teve o meia Robinho. Mesmo com apenas 23 anos e também no primeiro clube de massa, mostrou firmeza emocional. Jogou à vontade, arriscando jogadas individuais, impondo o seu estilo. Mas são jogadores maduros como Alexandre Favaro, Rodrigo Pontes, Luciano Henrique e Josiel que devem funcionar como pontos de equilíbrio. Serão importantíssimos na turbulenta trajetória do Papão ao longo desta primeira fase, em que cinco times disputam duas vagas em dois meses.
 
 
 
Raul, uma perda parcial

 

O Remo vai pagar R$ 60 mil, em 10 parcelas, a partir de setembro, para ficar com 20% dos direitos econômicos do zagueiro Raul. Isso significa que o clube perdeu 80%, tendo ainda que pagar os direitos trabalhistas do atleta. É uma perda parcial que se soma a 20 perdas integrais de jogadores em 13 anos da Lei Pelé, sempre por acúmulo de três ou mais meses sem pagamento de salários ou repasse de FGTS ou INSS.

 

Não deixou de ser um bom negócio. O Remo fez acordo para não perder tudo. E deve se dar por contente com a boa vontade de Raul, cujo ressentimento era principalmente por não ter sido recebido por nenhum dirigente do clube nas muitas tentativas que fez para dialogar. Essa é a mesma queixa dos demais jogadores regionais, como San, que esta semana fez desabafo em entrevistas definindo como “incompetente” a atual diretoria azulina e acusando o presidente Sérgio Cabeça de “falta de caráter”.
 
 
 
Pará conquista a terceira artilharia consecutiva?   

 

Em 2009, Michel (São Raimundo) foi artilheiro da Série D com 10 gols. Em 2010, Bruno Rangel (Paysandu) foi artilheiro da Série C com 8 gols. E este ano, o Pará conquista a terceira artilharia consecutiva no Campeonato Brasileiro? Em tese, Mendes (Águia), Josiel (Paysandu), Joãozinho (Independente) e Samuel Lopes (São Raimundo) seriam os principais candidatos.  


                     
No total, o Pará tem sete artilharias nacionais. A primeira foi de Rubilota, em 1971, com apenas quatro gols, pelo Remo, na segunda divisão. A segunda também foi Remo, com Dadinho, em 1984 (seis gols) na Copa CBF, correspondente à segunda divisão. No ano seguinte, Paulo César, pela Tuna, com seis gols, empatado com Guilherme do Figueirense/SC, na Taça de Prata (segunda divisão). Em 1991, Cacaio, do Paysandu, com 14 gols, na Serie B (segunda divisão). Nos dois últimos anos, Michel e Bruno Rangel.

 

O Pará teve também três vice-artilharias. Em 2001, na Série B, Vandick fez 14 gols pelo Paysandu, sete a menos que Sérgio Alves, do Ceará. Em 2003, também na Série B, Valdomiro fez 18 pelo Remo, um a menos que Wagner Love, do Palmeiras. Em 2005, na Série A, Robgol fez 21 gols, um a menos que Romário, do Vasco. A maior artilharia foi de Fábio Oliveira, do Remo, em 2007, na Série B. Ele bateu o recorde paraense com 22 gols, mas ficou em terceiro lugar, com um a menos que Val Baiano, do Gama, e três a menos que Alessandro, do Ipatinga.

 

 

Fonte: O Liberal