11 de julho, 2011 - Belém

As equações que atormentam o Leão de Sérgio Cabeça


 

Novo time, novo ânimo, velha esperança          


O Paysandu mostra hoje, em amistoso com o Águia, parte do seu novo time, que dá novo ânimo à torcida na velha esperança de reconquistar espaços de honra no campeonato nacional. O perigo dessa nova etapa está entre a ilusão dos torcedores pela resposta imediata e a realidade dos inevitáveis atropelos iniciais na construção de um novo time em pleno campeonato. Roberto Fernandes já está com os problemas mais previsíveis para as primeiras rodadas, como má forma física de alguns e lesões de outros.         


Pelos currículos e feitos recentes, os jogadores importados estão passando ótima expectativa à torcida. E ai de quem duvidar do sucesso do Papão, mesmo repetindo uma fórmula marcada por fracassos, com bons jogadores, mas sem preparação adequada, como está acontecendo. Para ser omisso, chamo atenção para o risco, embora queira estar enganado. O fato é que o elenco bicolor pode ser o melhor, mas com a pior preparação de todos os times do grupo 2 da Série C. E a melhor preparação é justamente do Águia, adversário no teste de hoje.                       

 


Cametá dissolvido, jogadores empregados        


Segunda maior artilharia (46 gols), 9 vitórias, 4 empates e 9 derrotas, 4º lugar na classificação geral. Foi assim a empolgante campanha do Cametá no Parazão 2011. Somente o Independente, campeão estadual, foi mais empolgante que o Cametá. O elenco cametaense foi dissolvido, mas deixou os dividendos: projeção ao clube, visibilidade à cidade, elevação da auto-estima do povo e portas abertas aos profissionais no Amapá, no Amazonas e em Goiás.        


Dos titulares do Cametá, somente o volante Wilson ainda não se empregou. Foi o melhor volante do primeiro turno, mas caiu de rendimento no segundo turno por causa de uma lesão muscular e problemas emocionais. O artilheiro Leandro Cearense está no Vila Nova/GO e na sexta-feira fez seu primeiro gol na Série B, contra o São Caetano, depois de ter sofrido pênalti na estreia, contra o Icasa/CE. O vice-artilheiro Jailson está no Independente/Tucuruí. O goleiro André Luiz está no Nacional/AM e o volante Paulo de Tárcio no Penarol/AM. Américo, Tonhão, Rubran, Mocajuba, Romeu, Leandrinho e Cassiano estão com o técnico Fran Costa no Trem/AP, para onde foi também o treinador de goleiros Mauro César. Essa base do Cametá vai receber o Independente em Macapá, domingo, no estádio Glicério Marques, na abertura da Série D.                              

 


Técnicos regionais empregados        


Sinomar Naves no Remo, Charles Guerreiro no Independente, Flávio Goiano no São Raimuno, Fran Costa no Trem, Valter Lima no Castanhal, João Galvão no Águia. Todos os técnicos regionais que trabalharam no Parazão 2011 estão empregados, inclusive Luis Carlos Apeú, que é funcionário do Castanhal nas categorias de base. A única exceção é Mazinho, que dirigiu a Tuna em três jogos.       


Ao contrário dos técnicos regionais, os importados Sérgio Cosme (Paysandu), Paulo Comelli e Givanildo Oliveira (Remo) e Sebastião Rocha (São Raimundo) ainda estão sem clube. É a resposta do mercado à produtividade de quem deu conta do recado e a quem ficou devendo.                        

 


Sérgio Cabeça na mais difícil nas equações       


Débitos muito acima dos R$ 345 mil (ainda sem a dedução de impostos) que entram no final desta semana, em pagamento do governo estadual pelos direitos de transmissão (TV Cultura) do Parazão. São cheques para cobrir, salários vencidos e outros compromissos a cumprir. O presidente Sérgio Cabeça tem pela frente a mais difícil das equações, na rotineira crise financeira do Remo.        


Sem milagres, o presidente remista terá que escalonar as prioridades e enfrentar descontentamentos. Praticamente isolado no comando do clube, Sérgio Cabeça vai ter que suportar muita pressão dos credores e críticas de toda parte até o final do ano, administrando a deficitária movimentação financeira do Leão. Menos mal que haverá equilíbrio entre os custos salariais atuais e a receita de patrocínios. O problema crucial está nas dívidas trabalhistas, que consomem R$ 150 mil por mês no Tribunal Regional do Trabalho. E esse sofrimento não vai passar enquanto o Remo não corrigir a exploração dos seus imóveis, mais urgentemente da ociosa área do antigo Carrossel.

 

 

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