08 de dezembro, 2010 - Belém

Papão coloca jogadores em risco



Sem preparar a musculatura dos atletas para a rotina de jogos, o Paysandu toma uma atitude muito arriscada ao reforçar o Time Negra com Thiago Potiguar, Marquinhos, Helinton, Allax e Nei na seletiva do Parazão. Vulneráveis a lesões, esses jogadores entram numa competição acirrada, em campos ruins (não é o caso do jogo de hoje em Parauapebas), dentro de uma precariedade em que é comum a falta de ambulância e de médico nos estádios, entre outras carências básicas. No último domingo, por exemplo, o goleiro Paulo Vânzeler, cedido pelo Paysandu ao Time Negra, sofreu baque e corte na testa (levou 17 pontos), foi socorrido pelo massagista Ivan Menezes e saiu do estádio dirigindo o próprio carro rumo ao hospital, sem amparo algum. Vale a pena expor jogadores importantes do Papão a essas condições de trabalho?


Justamente quando Sérgio Cosme está chegando, o Paysandu desloca meio time para a filial. Qual é a vantagem disso? E o Time Negra não foi criado para projetar as revelações do Paysandu? Quem explica? 


Com quem o Leão vai concorrer?


A história se repete. Com Paysandu, Águia e São Raimundo garantidos no campeonato nacional, o Remo vai disputar a vaga na Série D com Cametá, Independente e mais campeão e vice da fase seletiva que está em disputa. Ou seja, o Leão pode conquistar o acesso até com o quarto lugar, desde não seja superado por nenhum dos três concorrentes.


O título de campeão é a ambição natural dos remistas. Mas é a disputa do acesso à Série D que impõe toda a pressão. Uma obrigação moral que em outros tempos não tirava o sono nem do mais pessimista azulino. Mas a exclusão em 2009 e o difícil acesso em 2010, com o terceiro lugar, são lembrados como motivo de preocupação, até porque a 39 dias da estreia o Leão ainda não tem time.        


Casos de desobediência bem sucedida


Lembra do Paulo Henrique Ganso se recusando a sair de campo no que seria uma substituição, no Santos, na decisão do campeonato paulista. Aquele foi um caso explícito de desobediência bem sucedida. Tanto que até o técnico Dorival Júnior tratou de justificar, dando razão ao craque. Mas o futebol está cheio de desobediências que deram muito certo e que foram mantidas em sigilo por décadas. Três delas, no futebol paraense, são reveladas hoje pela coluna.


Trabalhando e revendo amigos em Belém esta semana, Paulo Róbson revelou que a estratégia atribuída ao técnico César Morais no Re-Pa de 1982 (decisão estadual) na realidade foi de Mesquita, campeão pelo Papão depois de toda uma grande história de glórias pelo Leão. Mesquita chamou a atenção de César Morais para a única grande jogada do Remo, nos avanços do lateral Marinho, e propôs que o volante Paulo Róbson, melhor preparo físico do time bicolor, cumprisse a função específica de marcá-lo, como falso ponta esquerda. Deu tão certo que não apenas o Papão ganhou o jogo (1 x 0) e o título, como Paulo Róbson virou lateral esquerdo dali pra frente, posição em que brilhou depois no Santos. Mesquita confirma a revelação de Paulo Róbson e se diverte com a história, com a justa vaidade de quem àquela altura tornou-se campeão com as três principais camisas do Pará, repetindo uma festa já fizera pela Tuna e pelo Remo. 


Mais duas desobediências reveladas


Em 1988 o Remo disputou o campeonato com um jovem time regional, chamado de “Esquadrão Cabano”, que fez sucesso até o primeiro Re-Pa. O técnico bicolor Givanildo Oliveira orientou seu time para atrair a garotada remista e contra-atacar. Luizinho das Arábias perguntou se podia conversar em particular com os colegas. Givanildo concordou e saiu do vestiário. Conta o então ponta esquerda Paulo Sérgio que Luizinho disse: “Não vamos fazer nada do que ele falou. Não podemos dar moral aos moleques, que eles vão crescer pra cima da gente. Vamos partir pra cima e decidir”. O Papão venceu por 3 x 0, contrariando o plano tático do treinador.


Campeonato de 1991. O Remo vencia o Tiradentes por 1 x 0. No intervalo, Paulinho de Almeida deu a ordem para  o time remista “segurar o resultado”, priorizando a marcação. Na volta ao gramado, Thiago, Paulo Sérgio e Paulo Verdan reuniram os colegas e decidiram desobedecer o chefe, afinal eram eles que estavam ouvindo os piores xingamentos dos torcedores, que queriam ver o Leão atacando. E viram! O Remo venceu por 5 x 0 e a imprensa rasgou elogios para Paulinho de Almeida pela transformação do time azulino. E assim o treinador “durão” não teve do que se queixar, como os demais favorecidos pela desobediência dos comandados. 


Baixinhas


Robgol tinha para o Paysandu a mesma oferta rejeitada pelo Remo: uma comissão técnica comandada por Ricardo Pinto com salários bancados pelo BMG (Banco de Minas Gerais). Robgol negociava a vinda de Givanildo Oliveira e foi surpreendido pela contratação de Sérgio Cosme. Por isso, está inclinado a desistir da superintendência de futebol do Papão.


Jonatan, meia, irmão de Paulo Henrique Ganso, é um dos 30 atletas que treinam no Paysandu para a Copa São Paulo. Somente 20 vão viajar. Jonatan leva a desvantagem de ser recente no elenco. Está há apenas quatro meses na Curuzu e ainda é reserva, mas está na concorrência.


Workshop de Futebol de Base do Pará, promovido pelo Portal ORM, vai ter como conseqüência uma discussão mais profunda do tema em seminário. O coordenador técnico do Paysandu, Carlos Alberto Mancha, lançou a proposta, que foi imediatamente abraçada pela FPF. Como disse Manoel Maria, o futebol de base vai entrar numa seqüência de mudanças no Pará.


Tanto no Paysandu como no Remo, quase todos os convidados para assumir o comando do futebol disseram 'não'. A única exceção é Izomar Souza, no Papão, que a princípio só não fica isolado porque Antônio Cláudio “Louro” se dispõe a permanecer. No Leão, o vice-presidente Paulo Mota responde pelo futebol rodeado por muitos que “apitam” à procura de alguém que ponha a mão na massa.


Paulão deixou o Paysandu e está entre um time paulista e o  Central de Caruaru/PE. Bosco está no Novo Hamburgo/RS, Leandro Camilo no São Bernardo/SP, Aldivan no Salgueiro/PE, Tácio no Fluminense de Feira de Santana/BA e Daniel Morais no Ipatinga/MG. Bruno Rangel ainda está sem rumo.


“Lanterna” da fase seletiva do Parazão, candidato ao rebaixamento, o Santa Rosa recorre a ninguém menos que  “Rambo” no ataque para a missão reabilitar o time, a partir de hoje, no confronto com o líder Ananindeua em Mãe do Rio. Demais jogos da rodada: Abaeté x Castanhal, Tuna x Sport Belém, Parauapebas x Time Negra.


Bastidores do Campeonato Paraense de 2011 vão ferver em breve. Estatuto do Torcedor no centro da questão. Por enquanto, a fase seletiva vai sendo conduzida do jeito que dá, mas sem as prevenções devidas, com riscos para jogadores e torcedores.


Diego Biro trocando o Águia de Marabá pelo Santa Cruz de Recife. O jovem meia, filho do ex-jogador Biro Biro, foi contratado ontem à noite pelo tricolor pernambucano, em transação intermediada pelo empresário Emerson Dias.  

 

Carlos Ferreira  cferreira@oliberal.com.br