18 de abril, 2014 - Belém

Bernadino Santos


Os notáveis Adherbal e Maria Helena Meira Mattos, Felícia Assmar Maia e Ubiratan de Aguiar, na noite elegante de Belém, em pose para a coluna.

O professor Cláudio Tavares Noronha, aqui com a esposa Ângela Iria Cavaleiro de Macêdo Noronha, faz aniversário hoje. Como bom católico que é, o evento não será festejado nesta sexta-feira santa.

Tradição

  •     Faz tempo que as tradições da Semana Santa foram esquecidas. Poucas, pouquíssimas, por sinal, ainda se mantêm, mas sabe Deus até quando.
  •     Quem tem menos de cinquenta anos não pode imaginar como eram os dias que correm, na então pacata Santa Maria de Belém do Grão- Pará.
  •     Se você já passou dos 50, mate saudade de um tempo romântico. Caso ainda não tenha chegado a eles, veja, nos próximos tópicos, o que faziam os católicos, na Semana Santa.

À mesa
A Igreja recomenda jejum e abstinência de carne vermelha e as pessoas levavam a sério o preceito. Por isso, o consumo de peixe aumentava consideravelmente, mas não havia a pilantragem que há hoje. O governo não precisava proibir a saída do pescado e os preços não mudavam. Todo mundo podia ter o seu peixinho.

Hora de almoçar
Era sagrado o horário do almoço. Muitas famílias optavam por almoçar as 11 horas para que, ao meio-dia, acompanhassem, pelo rádio, o sermão das Três Horas da Agonia. Hoje, cada um almoça à hora que quer. E vendo televisão.

Sermão
Belém ainda é uma das poucas cidades que mantém a tradicação do Sermão das Três Horas da Agonia, que neste ano será proferido pelo Padre José Gonçalo, Cura da Sé.

Silêncio
Havia um silêncio respeitoso nos lares.  As pessoas falavam baixo e, durante as três horas da agonia, pouco se falava. Apenas o necessário. Era uma forma de estar ligado ao sofrimento de Jesus.

Limpeza
Quem queria a casa limpa, que cuidasse de limpá-la na quarta-feira santa, porque, na quinta e sexta-feira da paixão era proibido pegar em vassoura para uma simples varrição. Faxina, então, nem pensar.

Música
Como, por muito tempo, Belém teve apenas duas emissoras de rádio, não havia escapatória: quem saísse de uma, caía na outra para ouvir a mesma programação. Ambas tocavam música clássica (que hoje os jovens chamam de música de enterro).

Roxo
Como sinal de luto e de respeito, as igrejas cobriam as imagens dos santos com um pano roxo. Só ficava à mostra o corpo do Senhor morto. Hoje, os panos não são mais usados.

Sete igrejas
A tradição de visitar sete igrejas, logo após as três horas da agonia, é uma das poucas que ainda restam. Antigamente as pessoas fazim o roteiro á pé. Hoje os católicos vão de carro.
“Serra velho”

  •     Em Bragança, havia a tradição do “serra velho”, imortalizada por Lindanor Celina, no romance “Menina que vem de Itaiara”, e consistia na leitura de um testamento das peças íntimas ou de uso pessoal de alguém muito velho.
  •     Um grupo, vestindo túnica e usando capuz, colocava-se debaixo da janela do velho que ia ser “serrado”, simulava a abertura de uma cova (era tempo de ruas de terra e sem calçamento) e puxava o rabo de um gato para que o bichano gritasse de dor. Era a senha para começar a farra.
  •     As famílias de pessoas idosas ou muito doentes costumavam acumular urina de dois ou três dias (imaginem o fedor...) para, começada a “brincadeira”, atirar nos “serradores”. Isso, com certeza, não existe mais. Mas existiu.

Tarde Alegre
Na quina-feira, 24 de abril, na Estação Hall, a Diretoria da Festa de Nazaré promove mais uma edição da tradicional Tarde Alegre. A programação beneficente terá sorteio de vários brindes e um bingo. Toda a verba arrecadada será revertida para a creche Cantinho São Rafael, uma das obras sociais da Paróquia de Nossa Senhora de Nazaré.

O que fazer?
É indisfarçável a ineficácia dos organismos responsáveis pelo trânsito urbano e rodoviário. As “araras”, de quase nenhuma utilidade, se limitam a coibir velocidade, quando a verdadeira insegurança é causada pela inabilitação, alcoolismo, e principalmente por motoqueiros, que transformaram a lei em letra morta. Que fazer?
Solidariedade
Belo exemplo de solidariedade e espírito cristão o trabalho executado por pescadores e catadores de caranguejo em Caratateua, distrito de Pacamorema no município de Curuçá. Esquecidos pelo poder público, moradores do lugarejo constroem sob supervisão do engenheiro Newton Campos ponte sobre mangal, com mais de mil  metros, para que os moradores da ilha de Pacamorema tenham acesso ao continente

Foguetório
Fiquei sabendo do foguetório que está sendo articulado para acontecer dia 23 de abril, na “Terra dos Romualdos País dos Maparás”, em regozijo ao aniversário do escritor Salomão Larêdo, cametaense da Vila do Carmo que é muito querido e  festejado em sua terra natal.

Marajó
Em comemoração aos 20 anos de sua criação, a Associação dos Municípios do Arquipélago do Marajó (AMAM), promoverá, no dia 23 próximo, no Teatro Maria Silvia Nunes, da Estação, um ciclo de palestras, com início às 8 horas, sobre os desafios para o desenvolvimento da Ilha de Marajó. No resto do dia serão apresentados grupos folclóricos.

Moda
O Curso de Design de Moda da Faculdade Estácio foi o vencedor da concorrência nacional promovida pela FIFA para a escolha dos uniformes que serão usados pelos profissionais que atuarão no Espaço Bossa Nova, na Cidade da Copa, no Rio de Janeiro. A proposta foi desenhada pelos alunos do 4º semestre do Curso, sob a coordenação do professora Felicia Assmar Maia.


Universidade
Cresce o núcleo  universitário  da UFPA, em  Mocajuba , com os cursos de história, pedagogia, matemática e agronomia. Do mesmo modo os núcleos de Baião, Tucuruí, Oeiras do Pará, Limoeiro do Ajuru,  Pacajá, Igarapé -Miri e Barcarena, tudo orientado pelo prof. Doriedson Rodrigues, coordenador  da UFPA em todo o Baixo Tocantins e do Campus de Cametá  e que trabalha diuturnamente objetivando a criação da Universidade, anseio de todo o povo  da região.

VITRINE


  •     Para muitos católicos, uma semana de fé, meditação e descanso. Para outros, lazer e praia em clima de feriadão.
  •     Salinas não recebeu, nesta temporada, tanta gente como nos anos passados, apesar de belos dias de sol.
  •     O mar de Salinas não está nem verde nem azul. Devido às enchentes do Rio Amazônas e afluentes, o visual é de uma coloração amarelada.
  •     Afinal, Salinas está na foz do Amazônas, que, nesta época, despeja milhões de metros cúbicos de barro no Atlântico.
  •     Boa notícia: a cidade está limpa, principalmente no centro. Desta vez o prefeito trabalhou.
  •     Notícia ruim: os restaurantes, na realidade barracas, continuam cobrando preços altos e oferendo cardápio de gosto duvidoso.
  •     Num “famoso” hotel da Praia do Atalaia, quatro (4) pedacinhos de peixe frito com arroz e um punhado de batata frita, estão sendo vendido, pásmem, a R$ 72,00. Além do serviço ruim.
  •     Nas barracas da Orla do Maçarico, um simples prato de sopa de caranguejo custa R$ 45,00 mais os 10% do “serviço”. Pode?
  •     Está na hora dos homens que comandam o turismo entrarem em ação para coibir esse abuso. Assim não se faz turismo.
  •      Diferente de outros “feriadões”, Belém não está vazia. Ontem, muita gente circulava pelos shoppings e lotavam os restaurantes.
  •     Selma Braga Chaves, ao lado do marido Nelson Chaves, festejou ontem em família a chegada de idade nova. Parabéns.
  •     Bom dia para a empresária Sônia Guedes, leitora da coluna logo no café da manhã.
  •     Voluntárias do Lions Clube Belém Centro abrem bazar beneficente nos dias 23 e 24 próximos, na Braz esquina da Serzedelo.
  •     Antes de encerrar um agradecimento especial ao companheiro João Carlos Pereira, que na minha ausência comandou a coluna, sempre com muita bossa e talento. Obrigado, amigo.
  •     Só lembrando: já pediu a bênção de sua mãe hoje? E da vovó?
  •     Cantinho da poesia: “Deixa eu dizer que te amo/ Deixa eu pensar em você/ Isso me acalma, me acolhe a alma/ Isso me ajuda a viver...” (Marisa Monte)
  •     Por hoje é só. Agora se me dão licença, a musa me chama. Volto no domingo.